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Reações adversas a medicamentos
podem ser prevenidas
Um mestrado defendido na Faculdade de
Saúde Pública (FSP) da USP mostrou que grande parte das reações
adversas graves a medicamentos - as que implicam internação ou
agravam o estado do paciente internado - podem ser prevenidas,
diminuindo gastos com novos tratamentos. Márcia Antonia Pern Puerro,
autora do estudo, chegou a essa conclusão ao analisar o custo dessas
reações por meio de artigos científicos publicados entre 1970 e
2001.
"A Reação Adversa a
Medicamento (RAM) é qualquer resposta a um medicamento que é nociva
e não intencional e que ocorre em doses normalmente usadas no
homem", explica Márcia. "O uso do contraste radiológico, por
exemplo, pode originar uma reação adversa", acrescenta.
Inicialmente, a pesquisadora observou 350 artigos, dos quais 55
foram resgatados e 17 selecionados para sua dissertação. No Brasil
não foi encontrado nenhum estudo sobre este tema. "Raros são os
hospitais que calculam seus custos. É preciso ter centros de custos
para saber o que é gasto com medicamentos e, depois, o que se gasta
com RAMs", afirma.
Entre os trabalhos selecionados, 12 eram europeus: 3 da Espanha, 7
da França e 2 da Alemanha. Os outros 5 tratavam da situação na
América do Norte, sendo que 4 eram dos Estados Unidos e apenas 1 do
Canadá.
Cálculo dos custos
De acordo com a pesquisadora, há três principais métodos para o
cálculo estimado dos custos. O primeiro é baseado no período de
internação hospitalar; o segundo contabiliza todos os recursos
consumidos, direta e indiretamente, em conseqüência da reação
adversa; e o terceiro calcula os gastos de acordo com o diagnóstico
de tratamento, ou seja, se a RAM provocou um problema gástrico, o
custo será o que a tabela do sistema de saúde indica para o
problema.
Márcia verificou que a faixa etária de 50 a 70 anos é a mais afetada
pelas RAMs. "Crianças e idosos são mais suscetíveis. As primeiras,
porque têm um sistema imaturo para metabolizar e excretar o
medicamento. Já nos idosos o medicamento pode permanecer mais tempo
no organismo do que o normal".
Nos 17 artigos analisados, o custo médio estimado das RAMs por
paciente variou de US$ 5,82 a US$ 5.796. A maior parte dos estudos
apresentaram custos superiores a US$ 1.000. Um trabalho sobre
artrite, realizado nos EUA, indicou que a reação adversa provoca
aumento de 45% no custo desse tratamento. A pesquisadora constatou
ainda que de 0,28% a 7,2% das internações foram causadas por reações
adversas. Além disso, de 1,3% a 19% dos pacientes internados
sofreram RAMs.
Cinco estudos abordaram a previsibilidade das reações. Segundo
Márcia, a porcentagem das RAMs que poderiam ser evitadas variaram
entre 30% e 91%."Muitas reações podem ser previstas, com grande
economia de custos para o Sistema de Saúde e prevenção até de danos
irreparáveis à saúde do paciente. O médico tem de conhecer como o
medicamento age, deve estar ciente do risco-benefício.
Principalmente os medicamentos desconhecidos ou novos devem ser
monitorados, ou seja, observados atentamente para o surgimento de
RAMs desconhecidas e graves. Por isso, a prescrição médica não pode
ficar à mercê da indústria farmacêutica", conclui.
Mais informações: (0XX11) 5589-9739, com Márcia Antonia Peron Puerro;
e-mail puerronet@uol.com.br
Fonte: Agência USP de Notícias (27/05/2004). |
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