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Fisioterapeuta conclui dissertação de mestrado sobre o programa Agita Assis

Responsável pela implantação do programa "Agita Assis", através da Secretaria Municipal de Saúde de Assis, em que idosos são incentivados a praticar atividades físicas buscando uma melhor qualidade de vida - a fisioterapeuta Maria Cristina Parisotto defendeu no começo do mês passado sua dissertação de mestrado sobre o assunto. O tema abordado foi "Envelhecimento ativo, utopia ou possibilidade: Percepção de bem-estar nos usuários do Agita Assis" e a defesa ocorreu na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, com a orientação da Dra Ursula M. Karsch, que é responsável pela saúde do Idoso no Estado de São Paulo.

O trabalho foi realizado por meio de análise qualitativa e quantitativa de 38 participantes do programa no núcleo dois, correspondente às Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos bairros Ribeiro e Bonfim e Programas Saúde da Família (PSF) do Três Américas e Bonfim, que participavam rotineiramente das atividades no período de março de 2002 a setembro de 2003.

Segundo Maria Cristina, os resultados da pesquisa mostraram que a atividade física realizada na comunidade, influenciou de forma significativa na condição de saúde e na percepção de bem estar dos idosos entrevistados. Nesse período, foram comprovadas a diminuição nos quadros de pressão alta e diabetes, obesidade, dor articular, problemas nervosos, circulatórios e dificuldade para dormir.

O trabalho, que resultou em nota 10 à aluna e em um e-mail de congratulações da Organização Mundial de Saúde (OMS), além da inclusão de um resumo no website da OMS, é decorrente de uma pesquisa de três anos, realizada a princípio com o grupo "De bem com a vida", em Pedrinhas Paulista - cidade natal da fisioterapeuta - e depois focada no projeto "Agita Assis", formulado com base no "Agita São Paulo" e implantado em Assis em março de 2002.

No final de 2002, com a intenção de buscar subsídios em outras realidades, ela apresentou os resultados do trabalho realizado em Pedrinhas no terceiro Congresso Europeu de Biogerontologia, em Florença, Itália. Na ocasião, também conheceu o trabalho feito com idosos em instituições de Milão, na Itália, Spa, na Bélgica, e em Paris, na França.

Como conclusão do estudo realizado na Europa, a fisioterapeuta entende que é necessário aos países menos desenvolvidos "vencer o desafio" de integrar a velhice no curso de vida, para que exista uma melhora de saúde na vida do idoso. Com a experiência adquirida, sua intenção é desenvolver um trabalho de forma que possa contribuir para a comunidade científica quanto à temática do curso de vida e à promoção de um envelhecimento ativo, possivelmente saudável e feliz.

Atualmente ela atua como docente na UNIP e no IEDA, trabalha no Hospital Regional, presta assessoria em saúde pública a municípios da região e é pesquisadora científica no grupo de envelhecimento da PUC. No dia 11, Maria Cristina deve fazer uma apresentação no 14º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, em Salvador, Bahia, sobre envelhecimento saudável.

"Trabalho com idosos carece de maior atenção do poder público", avalia pesquisadora.

De acordo com Maria Cristina Parisotto, o programa "Agita Assis" foi baseado no trabalho desenvolvido pelo médico Victor Matsudo (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul - Celafiscs), que defende o combate ao sedentarismo como uma importante ação em Saúde Pública, na prevenção das doenças crônicas. A proposta do projeto consistiu em criar grupos de trabalho em todas as Unidades de Saúde, onde foram cadastrados idosos, hipertensos e diabéticos, que passaram a realizar diversas atividades físicas diárias com um professor de Educação Física.

Seu objetivo inicial foi reinserir o idoso na sociedade de forma qualificada e contemporânea e incentivar a prática regular da atividade física por meio de atividades aeróbicas de baixo impacto como hidroginástica, caminhadas, alongamento e dança, visando a mudança de hábitos.

Dados do IBGE mostram que em 1980 a população brasileira com 60 anos ou mais era de 6,11% em relação ao total; em 2000 era de 7,67%, e a projeção para 2020 é de 12,56%. Para Maria Cristina, é preciso olhar com mais atenção esse segmento que vem crescendo e está normalmente acompanhado por doenças crônicas como artrose, osteoporose, hipertensão, diabetes, câncer, problemas pulmonares, auditivos e visuais. "Não adianta apenas envelhecer, o importante é envelhecer de maneira saudável, manter-se ativo frente a vida", observou.

Ela entende que o trabalho com idosos carece de maior atenção por parte do poder público, já que os recursos financeiros são escassos e os problemas relacionados ao envelhecimento são normalmente onerosos, e podem ser minimizados. "É fundamental que os programas assegurem a identidade dos idosos de forma a contribuir não só para sua permanência no contexto social, mas também para sua efetiva participação no mundo em que vivem", concluiu.

Fonte: Diário de Assis (1 de junho de 2004)

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