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O cientista coreano Woo-Suk Hwang
receita Para ele, o Brasil deve permitir a técnica terapêutica Por Cristina Amorim O cientista sul-coreano Woo-Suk Hwang, que ganhou notoriedade mundial no mês passado ao demonstrar avanço na clonagem terapêutica, disse ontem em Curitiba que o Brasil precisa rever a proibição da técnica. Políticos brasileiros também acreditam haver espaço para a inclusão da clonagem terapêutica na Lei de Biossegurança em vigor.
Hwang afirmou que escolheu o Brasil como o primeiro país a
visitar após a publicação do seu artigo na prestigiosa revista
“Science” (no qual mostra como obteve 11 linhagens de células-tronco
a partir de embriões clonados de pacientes) para estimular o debate
e o avanço local da legislação. "Sei que há pesquisadores muito competentes que trabalham com células-tronco no Brasil e que uma lei aprovada há pouco tempo permite o trabalho com embriões congelados. Mas os dois tipos de células-tronco embrionárias, essa e a obtida de embriões clonados, são potencialmente importantes (para a medicina). Espero que o governo apóie os dois tipos no futuro", afirmou. A Lei de Bioética e Biossegurança da Coréia do Sul, que permite a prática, só entrou em vigor em 1º de janeiro, não antes de um debate que tomou quatro anos. Hwang lembrou que apenas sua equipe tem, por ora, autorização para desenvolver a técnica no país.
"Cada nação tem sua própria cultura e diferentes pontos de
vista social, político e religioso. No entanto, acho que o governo
brasileiro também chegará a uma conclusão favorável (sobre a
clonagem terapêutica) no futuro." Além da Coréia, apenas a
Grã-Bretanha permite a prática atualmente. Para o senador Osmar Dias (PDT-PR), a Lei da Biossegurança deve ser revista dentro de no mínimo cinco anos, para que a clonagem terapêutica seja incluída no texto. "À medida que as pesquisas avancem, será necessário repensar a proibição", disse. Dias, que participou de uma mesa-redonda sobre a lei brasileira no 17º Congresso Brasileiro de Genética Clínica, foi o relator do projeto da lei na Comissão de Educação e Ciência do Senado e incluiu a prática – subtraída posteriormente pelo senador Ney Suassuna (PMDB-PB), quem assinou o texto final antes de ele voltar para a Câmara, onde foi aprovado.
Popstar No entanto, o sorriso sumiu quando questionado sobre a possibilidade de clones humanos surgirem em decorrência do avanço da ciência. Com a mesma intensidade que defende a clonagem terapêutica, Hwang combate a versão reprodutiva. Em Curitiba, repetiu que clonar pessoas é "antiético, pouco seguro e biologicamente impossível" – pelo menos com o conhecimento atual. "A clonagem reprodutiva deve ser banida em todo o mundo." O sul-coreano admite que a técnica precisa ser aprimorada. Ainda que seja a primeira vez que se obtém células-tronco a partir de um embrião clonado, ainda há diversos problemas a serem resolvidos antes do uso clínico da clonagem terapêutica. "Ainda são necessários mais alguns anos para que a pesquisa vire tratamento." Cientista obteve 1.ª aplicação prática da clonagem terapêutica
Em 20 de maio, a edição eletrônica da “Science” (http://www.scienceexpress.org)
publicou um artigo no qual Woo-Suk Hwang e sua equipe descreviam
como obtiveram 11 linhagens de células-tronco a partir de embriões
clonados de 11 pacientes. Foi a primeira aplicação prática da
clonagem terapêutica. ______________________________ Fonte: O Estado de SP, 11/6, reproduzido no JC e-mail 2788, de 13 de Junho de 2005. |
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