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Prescrição de remédios para
idosos
Pesquisa realizada por uma equipe da Unicamp em um hospital-escola revela problemas na escolha dos medicamentos receitados para os mais velhos, assim como nas doses administradas para esses pacientes. Por um lado, ainda são escassos estudos sobre prescrição de medicamentos para idosos em hospitais. Por outro, diversas pesquisas já mostraram que, devido às mudanças que ocorrem no organismo com o envelhecimento, aumenta o risco de reações adversas a remédios e de interações medicamentosas. Segundo trabalho realizado por Thais Baleeiro Teixeira Braga e sua equipe, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), certos aspectos da prescrição de remédios, principalmente para idosos, precisam ser revistos e modificados, de modo que os pacientes se beneficiem de um tratamento mais racional. O grupo da Unicamp publicou seus resultados na revista São Paulo Medical Journal, na edição de março-abril de 2004. Thais e sua equipe recolheram dados sobre drogas prescritas, em um período de 24 horas, para 273 pessoas internadas em um hospital-escola. Ao compararem os pacientes de diferentes faixas etárias, os pesquisadores constataram que os idosos sofriam mais de câncer; os jovens, de doenças infecciosas e do aparelho digestivo; e os de meia-idade, de problemas cardiovasculares. “Entre os pacientes idosos, 58,9% recebiam cinco medicamentos ou mais, comparados com 52,2% entre os de meia-idade e 46,5% entre os jovens”, dizem Thais e sua equipe no artigo. Houve uma tendência de os pacientes mais velhos tomarem mais remédios, mas as diferenças observadas não foram estatisticamente significativas. A inadequação das prescrições de remédios para idosos pode estar relacionada à escolha indevida dos medicamentos ou à administração de doses impróprias. Quanto à escolha, Thais e sua equipe encontraram receitas para idosos de duas substâncias – nifedipina e diazepam – que, de acordo com o artigo, poderiam colocar a saúde desses pacientes em risco.
Segundo os pesquisadores, embora a dose diária de aminofilina
não deva ultrapassar os 500 miligramas, o grupo de idosos analisado
recebeu, em média, 660 miligramas do medicamento. Com a
metoclopramida não foi diferente: os idosos receberam, em média, 34
miligramas dessa substância, enquanto 15 miligramas diários seriam o
máximo recomendado, de acordo com o grupo da Unicamp. “Um programa
médico contínuo em terapêutica, desenvolvido para quem prescreve
medicamentos ter acesso a atualizações e informações clinicamente
importantes sobre o tratamento com medicamentos, poderia ajudar a se
alcançar o objetivo de uma farmacoterapia segura e efetiva para
idosos”, sugerem Thais e sua equipe na conclusão do artigo. |
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