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Estudo do Ipea revela que 40% das mulheres do país começam a receber o benefício antes de completar os 50 anos. Maioria se aposenta antes dos 55 anos Por Gabriela Wolthers
Estudo do Ipea
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do Ministério do
Planejamento, mostra que, apesar das reformas realizadas pela
Previdência, 60,5% dos brasileiros que se aposentam por tempo de
contribuição o fazem antes dos 55 anos. O documento é de autoria de Fábio Giambiagi e João Luís de Oliveira Mendonça, do Ipea, Kaizô Iwakawi Beltrão, do IBGE, e Vagner Laerte Ardeo, da FGV. Os dados, coletados do Anuário Estatístico da Previdência Social, são de 2003. Cerca de 30% dos aposentados do setor privado do país obtiveram o benefício por tempo de contribuição, contra 50% por idade e 20% por invalidez. Apesar de não serem maioria, os aposentados por tempo de contribuição -35 anos, no caso de homens, e 30 anos, no caso de mulheres- recebem os mais elevados benefícios pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) -uma média de 3,6 salários mínimos, o equivalente a R$ 936.
Os aposentados por
idade que vivem em área rural recebem benefício médio de apenas um
salário mínimo -R$ 260-, e os que vivem em área urbana, de 1,51
salário mínimo -R$ 392,6. "A mudança introduzida nos anos FHC atuou como um forte inibidor para quem se aposentava no INSS com 45 ou 50 anos, mas não teve um efeito tão importante para impedir a aposentadoria daqueles com 53, 54 ou 55 anos, pois, nesses casos, o fator previdenciário determina perdas menores", diz o documento. Existe uma diferença crucial entre o INSS, que paga benefícios a cerca de 20 milhões de pessoas, e o regime dos servidores públicos, que faz pagamentos a apenas 1 milhão de aposentados e pensionistas, diz o documento. O primeiro fechou 2003 com um déficit de 1,8% do PIB. O segundo, com um rombo maior, de 3,8% do PIB. Ipea vê desequilíbrio nas contas
O estudo do Ipea
afirma que as contas do INSS estão desequilibradas pela ausência de
uma idade mínima para aposentadoria dos trabalhadores do setor
privado. Também aponta a aposentadoria precoce das mulheres e dos
professores de primeiro e segundo graus e a vinculação do piso
previdenciário ao salário mínimo como fatores que contribuem para o
rombo.
Como opção, é
proposto que as aposentadorias tenham garantida a indexação à
inflação para preservar o poder aquisitivo, mas desvinculando o piso
previdenciário do salário mínimo.
Com relação à idade
mínima, ele defende que inicialmente, como já é o caso dos
servidores, ela seja estabelecida em 55 anos, no caso das mulheres,
e em 60 anos, no caso dos homens. "Hoje, se uma mulher começou a trabalhar aos 18 anos, ela pode se aposentar aos 48 anos de idade e 30 de contribuição, com um desconto de 47%", diz o texto. "Mas pode fazer jus a uma aposentadoria plena já aos 57 anos."
Por último, o
estudo propõe eliminar o benefício dos professores de primeiro e
segundo graus, que hoje se aposentam com cinco anos a menos do que
os demais trabalhadores. Fonte: Folha de S.Paulo on line:13/12/04 |
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