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O mundo do trabalho para os idosos: uma questão social?

Por José Bernardo Enéias de Oliveira* 

O trabalho tem um significado importante para “O Homem social” ao longo de sua vida. Enquanto “Homem Biológico” ele busca sua “Reprodução Social”[1] e encontra no mundo capitalista sua sobrevivência e identidade através do trabalho. Surge, mais tarde, a competitividade e a discussão da reprodução social do idoso dentro do grupo dos “excluídos sociais”. Grupo no qual ele perde o seu espaço, deixa de reproduzir biológica e socialmente, sendo descartado e deserdado das novas possibilidades. Deixa de ser reconhecido como ser humano ontologicamente capaz de adaptar-se e produzir ou reproduzir como ser ativo.

Os movimentos sociais da atualidade desenvolvem ações relacionadas às dimensões da identidade humana e ao desenvolvimento das potencialidades, na direção de novas formas de trabalho e habilidades pessoais. Segundo dados do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 2001, 25% da população economicamente ativa (PEA) era por volta de 17 milhões de pessoas com média de idade de 63,7 anos para os homens e 64,9 anos para as mulheres. Destaca-se ainda que 15% dos desempregados têm mais de 50 anos, potencialmente sujeitos ao estado de pobreza. Dados que revelam a necessidade de permanecerem ou até mesmo ingressarem no mercado de trabalho.

Frank Schirrmacher (Revista Veja, 18/8/2004), ao tratar do “Choque de gerações” - quando os idosos forem maioria – chama a atenção da sociedade quando diz que estamos ”às vésperas de uma revolução econômica, política e cultural, motivada por uma modificação demográfica: o envelhecimento da população“. Mais adiante, faz um paralelo entre o mundo humano e o animal, ao assinalar que ”a natureza não se interessa mais por seres que não podem reproduzir”. A partir destas colocações, entende-se que a reprodução é a vida concentrada ao potencial do homem natural, no que tange ao ápice da vitalidade e o vigor físico. Portanto, característica essencial para o trabalho e sobrevivência (Oliveira, JBE/2004). O que nos faz refletir sobre o significado do trabalho para o idoso e as razões que o levam a uma nova ocupação. Será a (re)socialização, no sentido da adaptação aos novos valores? Na condição de pesquisador deste assunto e engajado nos movimentos sociais, lanço um desafio aos representantes das empresas e dos trabalhadores, em especial ao movimento sindical, repensar nas formas de trabalho e conceitos desta nova população ativa que preconceituosamente são excluídos da sociedade. É “uma questão social?” ou “uma questão de interesse dos representantes do mundo do trabalho?”. 

E para ajudar a se repensar nas diferentes formas de trabalho, nada melhor que determos nas estatísticas em que pesquisas indicam que a população mundial está envelhecendo em ritmo de extrema velocidade, podendo superar a marca de 15% da população geral. Joseph Chamie, diretor da divisão de população da ONU, afirma que em 2050 haverá dois bilhões de pessoas acima de 60 anos, considerando que 21% estarão acima de 80 anos de idade. Apresento o quadro resumo do mercado de trabalho dos idosos (Fonte: IBGE, 2004), o qual mostra uma visão lúcida do mundo do trabalho para os idosos.

TOTAL DE IDOSOS

IDOSOS OCUPADOS

Brasil: 16.022.231

São Paulo: 3.603.212


Brasil: 4.870.336
ou 30,40% da PEA

São Paulo: 800.472 (ou 22,21% da PEA)
 

Brasil:

ü    Homens:  44%

ü    Mulheres: 56%

 


Brasil:

ü    Entre 60 e 69 anos: 73,3%

ü    Entre 70 e 79 anos: 22,7%

ü    Com 80 anos ou mais: 4,1%
 



São Paulo:

ü    Homens:  43,1%

ü    Mulheres: 56,9%

 


São Paulo:

ü    Entre 60 e 69 anos:      76,0%

ü    Entre 70 e 79 anos: 21,4%

ü    Com 80 anos ou mais: 1,8%
 

 
________________________
 
*José Bernardo Enéias de Oliveira, Professor universitário; Consultor trabalhista e desenvolvimento organizacional, Formador de lideranças sindicais. Atualmente como Sócio - Diretor e consultor independente pelos Consultores D&B, Desenvolvimento Organizacional e Sindical, Psicologia e Treinamento Ltda. Graduado em Psicologia, com especialização Social/Organizacional – FAPA; Pós Graduação em Administração de Recursos Humanos - FAAP/CENAP; Pós Graduação em Economia e Relações do Trabalho - COGEAE/PUC ; Pós Graduação em Formação de Professores para Ensino Superior; Curso L.S. Vygotski: Uma Introdução ao Enfoque Histórico Cultural - Prof Guilhermo A. Beaton - Universidade de Havana/Cuba (2003); Curso de Formação Sindical/CNEL - Consiglio Dell’Economia e Del Lavoro/Turim – Itália”. Mestrando em Gerontologia Social pela PUC/SP. E-mail: dbconsultores@ig.com.br

[1] Gyorgi Luckács, filósofo húngaro, falecido no início da pós-modernidade, 1979, “Ontologia do ser social, os princípios ontológicos fundamentais de Marx”.

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