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Três em cada dez
idosos praticamente
sustentam a família, diz IBGE
Por
Janaina Lage
Três em cada dez idosos praticamente sustentam
toda a sua família. Pesquisa de "Indicadores Sociais Municipais",
realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) a partir dos dados do Censo 2000, revela que 27% dos
idosos são responsáveis por até 90% do rendimento de suas familias.
Esta proporção ganha ainda mais destaque nas áreas rurais. Nos
municípios com até 20 mil habitantes, cerca de 35% dos idosos
contribuem com 30% a 50% do rendimento familiar mensal. Isto pode
ser explicado por fatores como o menor número de empregados com
carteira assinada e o alto percentual de residentes analfabetos
funcionais (pessoas com até quatro anos de estudo).
Dos 5.560 municípios do país, a maioria tem até 20 mil habitantes.
De acordo com a pesquisadora do IBGE, Bárbara Cobo, estes municípios
ainda têm caráter bastante rural e contam com características
similares.
"Nestes municípios há um grande número de pessoas que trabalham
ajudando a família sem rendimento, com cultivo próprio, por exemplo.
Nestes casos, a renda monetária do idoso acaba ganhando importância
não só para a família como para a economia local do município",
disse.
De acordo com os dados do Censo, em 2000, 66,8% das pessoas de 60
anos ou mais estavam aposentadas e 11,2% eram pensionistas. O número
de aposentados tende a diminuir conforme aumenta a população dos
municípios. Nos municípios com até 5 mil habitantes, o percentual de
aposentados era de 76,9% e o de pensionistas, de 7,4%. Já nas
cidades maiores, com mais de 500 mil habitantes, os aposentados
somam 59,8% e os pensionistas, 13,9%.
Para o IBGE, a explicação para a proporção maior de aposentados em
municípios menores está relacionada à universalização dos benefícios
da seguridade social que ocorreu na década de 90. Como os municípios
menores tendem a ser caracterizados como rurais, os idosos puderam
se beneficiar do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural/ Fundo
de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural (Prorural/Funrural).
Estes programas são destinados a agricultores, pescadores e
garimpeiros.
Vulnerabilidade
A pesquisa do IBGE mede também o grau de vulnerabilidade dos
domicílios. O indicador se refere a três aspectos: rendimento
domiciliar de até 1/2 salário mínimo per capita, pessoa responsável
com menos de quatro anos de estudo, o chamado analfabetismo
funcional, e a presença de crianças de até 14 anos. Nos municípios
menores, de
10.001
a 20.000 habitantes, o grau de vulnerabilidade chega a 39,2%. A
média do Brasil é de 22,1%. Já nas cidades maiores, com mais de 500
mil habitantes, o percentual é de apenas 8,8%.
Nos municípios com até 5 mil habitantes, o percentual de analfabetos
funcionais chega a 43,5% nos municípios com população de 10 mil a 20
mil habitantes. Nos municípios mais populosos, o percentual cai para
15,6%.
O percentual de empregados com carteira assinada também acompanha
esta tendência. Nos municípios com até 10 mil habitantes, os
empregados com carteira representam apenas 18,6% do total. Nos
municípios com mais de 500 mil habitantes o percentual chega a
44,1%.
Apesar das variações de instrução, rendimento e peso da
aposentadoria sobre o rendimento familiar, não há grande
diferenciação na contribuição à previdência no que se refere ao
tamanho dos municípios. Neste caso, o que conta é a participação
regional. No Sudeste, o percentual dos que contribuem para a
previdência social chega a 50,2%. No Nordeste, o número cai para 37%
e no Norte, onde há o menor percentual, apenas 29,3% contribuem. Em
todo o país, a média é de 51,5% da população ocupada.
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Fonte: Folha Online, 29/12/2004 |
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