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Mortalidade de idosos aumenta com poluição
(foto: ELSI) Pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo mostra que as variações de curto prazo dos poluentes atmosféricos interferem na saúde da população Entre os poluentes presentes nos céus de São Paulo, o material particulado é o mais nocivo para a saúde da população idosa. Um estudo publicado na Revista de Saúde Pública, que analisou dados de 1993 a 1997, mostrou que a elevação de poluentes em uma determinada época do ano, mesmo com o intervalo de dias, provocou um aumento no número de mortes na população acima de 60 anos de idade nos hospitais da cidade. Entre os três contaminantes avaliados, ozônio, monóxido de carbono e material particulado, este último apareceu como o principal vilão. Os modelos matemáticos e as correlações estatísticas realizadas pelos pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo mostraram que o aumento de 10 microgramas por metro cúbico do poluente causou um incremento de 1,1% nas mortes. Outra parcela da população foi avaliada pelo mesmo estudo. O material particulado também apareceu como o poluente mais crítico para a saúde da população menor de 15 anos de idade. Nesse caso, em vez das mortes, os pesquisadores estudaram o aumento das internações de crianças e adolescentes nos hospitais públicos da capital paulista. Também usando a elevação de 10 microgramas por metro cúbico, os pesquisadores calcularam que o aumento do poluente material particulado gerou um acréscimo de 1,3% das internações por doenças respiratórias. Em todo o período de estudo, a quantidade de poeira no ar de São Paulo esteve acima do considerado ideal pelas autoridades de saúde. Em vez das 50 microgramas por metro cúbico, a média entre 1993 e 1997 esteve em 65 microgramas por metro cúbico.
O impacto dos poluentes nas mortes e nas internações pôde ser
percebido, segundo os pesquisadores, com um exercício simples. No
ano de 1999,
a média de material particulado, segundo os dados da Companhia de
Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), esteve em 19
microgramas por metro cúbico. A partir de fórmulas matemáticas, foi
possível saber que essa redução da média, em relação ao período de
1993 a 1997, seria suficiente para poupar 471 mortes de idosos e 476
internações de menores de 15 anos nos hospitais públicos da capital.
Fonte: Agência FAPESP, 23/12/2004. |