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Dez tendências da convergência
digital
‘O que eu
espero, mesmo, é que todos esses aparelhos, a começar dos celulares,
funcionem bem, antes de 2015. Nada mais’
Ethevaldo Siqueira (esiqueira@telequest.com.br), jornalista
especializado, mantém a coluna sobre ‘Tecnologias da
Informação/Economia Digital em ‘O Estado de SP’
Vale a pena entender o que vem por aí em matéria de produtos
eletrônicos. Para antever essa evolução, nada melhor do que eventos
como o Consumer Electronics Show (CES), aqui
em Las Vegas,
realizado sempre no começo de janeiro.
Um dos painéis deste CES 2005 debateu, a propósito, as tendências da
eletrônica de consumo nos próximos 10 anos, com a participação de
Stephen Manes, colunista da Forbes, e da PC World, como moderador, e
quatro especialistas da indústria: Jeffrey Belki (Qualcomm), Kevin
Kahn (Intel), Rudy Provoost (Philips) e Stephen Schwartz (consultor
da General Dynamics).
A partir das opiniões desses e de outros especialistas, resumo a
seguir as tendências mais prováveis da convergência digital, bem
como as possíveis maravilhas eletrônicas que estarão ao nosso
alcance, leitor, ao longo dos próximos 10 anos.
Aqui vão as tendências para 2015, com a mesma ressalva feita pelo
moderador do painel no CES: ‘Não nos cobrem nada daqui a uma década
sobre algumas coisas estúpidas que dissermos aqui’.
1) A primeira grande tendência é a popularização de equipamentos de
entretenimento portátil, da chamada tecnologia pessoal, tão
atraentes como os tocadores de MP3, computadores de mão (handheld
computers), PDAs, câmeras gravadoras de DVD, celulares
multifuncionais e laptops de alta performance e capacidade de
comunicação em banda larga. Um exemplo dessa tendência é o iPod da
Apple, um multifuncional revolucionário, que grava e toca música MP3,
armazena e exibe fotos digitais e já se acopla a uma dúzia de
acessórios.
2) Outra tendência é a maturação da terceira geração (3G) do
celular, que associa mobilidade, banda larga e conteúdos cada dia
mais diversificados e sofisticados. Esse novo celular viabilizará o
comércio eletrônico móvel (m-commerce), tornando realidade a
interatividade em multimídia wireless. Na telefonia fixa, teremos a
vitória arrasadora da tecnologia da voz sobre protocolo IP (VoIP, na
sigla em inglês).
3) Triunfo da imagem de alta definição, a começar pela TV a cabo,
nos monitores de computadores, nos projetores de alta performance (e
baixo custo) e telões de cristal líquido a preços mais acessíveis. O
home theater e o som surround estarão ao alcance da classe C. E,
para quem ainda tem dúvidas, vale lembrar que ainda este ano chegará
ao mercado o DVD de alta definição, o Blu-ray disc. Num exemplo de
convergência total, nossos telões domésticos de alta definição
poderão mostrar tanto as cenas e imagens vindas do outro lado do
mundo quanto do quarto vizinho, dos provedores de conteúdo on demand,
áudio de rádio digital de alcance mundial, hiperinformação online
(jornais, revistas, TV aberta ou TV por assinatura), lojas virtuais
e todas as formas de comércio virtual.
4) Milhões de cidadãos terão acesso à banda larga sem fio (Wi-Fi ou
Wi-Max), nos locais públicos de maior densidade populacional, como
aeroportos, shopping centers, hotéis ou restaurantes, para conexão
gratuita de nossos laptops e celulares. Com a expansão das redes sem
fio Bluetooth, poderemos eliminar todos os fios de conexão
existentes em nossas casas, dos mouses, teclados, impressoras,
caixas acústicas, fones de ouvido, telefones fixos, de tudo. Já
suspiro de alívio.
5) E a internet? Estará no auge, com acesso em banda larga, a 10
megabits por segundo (Mb/s), em sua maioria sem fio, não apenas em
escritórios e empresas, mas em aviões, residências de melhor padrão,
Universidades, hotéis, escolas de primeiro grau, lojas e shopping
centers.
6) Servidores de mídia domésticos estarão presentes em pelo menos
60% dos domicílios de classe média nos EUA, integrando o televisor e
o computador e gravando tudo digitalmente. A esses servidores e
mídia centers estarão conectadas também jukeboxes capazes de
armazenar até alguns terabytes de informação, guardando e tocando
todo nosso acervo audiovisual doméstico.
7) Carros digitais oferecerão um festival de entretenimento e
informação, com recepção de TV e rádio digital via satélite,
navegadores GPS integrados ao celular, sistemas de informação de
utilidade pública, internet de alta velocidade e, creiam, um
servidor de multimídia dentro do veículo para controlar tudo.
8) Os sensores pareciam coisas de ficção. Pois daqui a 10 anos
utilizaremos esses dispositivos em profusão, em sistemas de
identificação biométrica, em computadores vestíveis, ou seja, em
roupas capazes de checar nossa saúde dia e noite, monitorar nossa
malhação nas academias de ginástica ou nas esteiras domésticas. Com
sensores, poderemos abrir portas, dialogar com terminais, abrir o
sinal verde dos semáforos, identificar pessoas, controlar a entrada
de visitantes, proteger as residências e automatizar casas e
escritórios.
9) A nanotecnologia decolará, seguramente, nos próximos 10 anos,
produzindo as primeiras máquinas e robôs do tamanho de algumas
moléculas ou átomos. Alguns nanodispositivos poderão revolucionar a
eletrônica, nos chips, memórias e componentes eletrônicos mais
sofisticados.
10) Finalmente, a revolução do conteúdo será, predominantemente,
voltada para o entretenimento, pois, na visão dos líderes, ‘tudo
terá que ser um pouco mais divertido daqui para frente, seja
trabalho, educação e, principalmente, os meios de comunicação’.
No seu estilo mordaz e cético, o moderador Stephen Manes concluiu o
debate formulando apenas um desejo: ‘O que eu espero, mesmo, é que
todos esses aparelhos, a começar dos celulares, funcionem bem, antes
de 2015. Nada mais’.
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Fonte: O Estado de S.Paulo, 23/1/2005,
reproduzido no JC e-mail 2693, de 24/01/2005. |
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