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Aparecida Yoshie Yoshitome

Indicadores para instituições de longa
permanência para idosos ILPI
 

Na discussão sobre as instituições de longa permanência para idosos (ILPI) há uma diversidade de questões que requerem definições sem as quais é muito difícil chegar-se a um consenso. Nesta tentativa podemos tentar conciliar dois modos de olhar: um, o administrativo, essencial para a viabilidade e o desenvolvimento desta modalidade de atendimento e, o outro, o idoso, o sujeito de toda necessidade deste serviço. 

Assim vejamos: uma ILPI que consegue captar recursos financeiros e uma boa gerência pode trazer à instituição melhorias das condições físicas, materiais, de recursos humanos etc. que, sob o ponto de vista administrativo, são necessários, mas sobre os quais geralmente os idosos não são consultados quanto às suas prioridades. Se os residentes destas ILPI não têm condições de opinar, os profissionais ou as pessoas que conhecem bem as necessidades destes idosos, também não são convidados a opinar.  

Numa ILPI com recursos financeiros limitantes em vários momentos é preciso “apagar o incêndio”, então não se administra, “toca-se” o serviço e o idoso deixa de ser o sujeito ou o objeto de prioridade da preocupação destes dirigentes.  

Portanto, quem se propõe a abrir uma ILPI ou assume dirigir uma, deve fazê-lo com profissionalismo. Deve se encarar como um negócio que precisa de fontes de captação de recursos e buscar objetivamente atender as normas regulamentadoras e não esquecer que o sujeito e objeto de sua administração é o indivíduo idoso, não apenas o “pano de fundo” de sua gerência. 

Quanto às instituições existentes é preciso profissionalização, conhecimento das questões sobre o processo de envelhecimento humano e das instituições. Esforços devem ser feitos inicialmente ainda que com voluntários, mas com disposição para trabalhar, utilizando conhecimento profissional e ao longo do tempo ceder o lugar para um profissional. 

Embora pareça utópico, neste momento, é preciso pensar na qualidade do atendimento destas instituições. Na busca pela qualidade poderá se racionalizar os gastos com os cuidados de saúde, prevenir iatrogenias, evitar a violência institucional e os processos jurídicos. Como componente da qualidade a padronização de condutas permitirá a comparabilidade dos serviços e oferecer subsídios que facilitarão a busca pelas fontes de recursos, inclusive os públicos.  

A constante avaliação da qualidade dos serviços é vital para o sucesso das organizações. É fundamental que esta avaliação seja feita com critérios objetivos, ou seja, utilize indicadores que permitam “medir” a qualidade dos serviços. Assim, a qualidade da atenção aos idosos depende da suficiência de recursos, da organização administrativa, da competência do pessoal, do processo de trabalho e, ainda, do relacionamento entre prestador e usuário. Utilizando-se o referencial de Donabedian (1980), que se baseia na teoria de sistemas, nas ILPI podem-se classificar os indicadores de qualidade em: estruturais: como estão estruturados os recursos físicos, materiais, administrativos; e humanos, por exemplo: a existência de metas para a qualificação de profissionais; existência de regulamentos, organogramas, a estrutura física seguindo as portarias ministeriais. Os indicadores de processo: avaliam se os procedimentos estão sendo realizados de acordo com as normas técnicas estabelecidas relacionando-as com a proporção de profissionais envolvidos. 

A medida dos resultados envolve o uso de indicadores para avaliar o acesso, a satisfação do usuário, a efetividade do cuidado prestado e os aspectos financeiros.  

Os indicadores são, portanto, expressões, sinais, determinantes que proporcionam informações mensuráveis e servem como guia ou alerta para monitorar e avaliar situações de desvio do padrão estabelecido, tanto para o positivo quanto para o negativo, que devem ser motivos de uma revisão. É uma ferramenta importante de trabalho para os administradores, no apoio da gestão de sistemas ou na gerência de serviços. 

Os indicadores podem ser formados por uma simples contagem direta de casos, até o cálculo de proporções, razões, taxas ou índices sofisticados. Para sua formação são importantes: integridade dos dados, uniformização quando da coleta dos dados e consistência dos valores, que devem ser coerentes e não contraditórios. A qualidade e a comparabilidade dos indicadores podem ser asseguradas pela aplicação sistemática de definições operacionais e de procedimentos padronizados de medição e cálculo (Escrivão Jr., 2004).  

Os indicadores devem ser facilmente analisados, interpretados e compreensíveis pelos usuários da informação. Precisam ser simples e, principalmente, éticos. A utilização de indicadores tem sido cada vez maior em países como Estados Unidos da América, Reino Unido, Austrália acompanhada pela melhoria dos sistemas de coleta e processamento de dados e informações. 

É fundamental para as ILPI começar o movimento pela melhoria da qualidade destas instituições, pensando minimamente na dignidade do idoso, do ser humano. A proposta de utilização de indicadores é um marco inicial, muito há que se discutir, pois é preciso ainda definir quais os indicadores apropriados para ILPI e como obter os dados fidedignos. Outro questionamento é a freqüência que estes indicadores devem ser apresentados e como poderão contribuir para a gerência das ILPI. Em um mundo que está envelhecendo, globalizado e onde as informações estão on-line, não se pode mais ignorar a qualidade de serviços, relevantes para as ILPIs. 

Referências

Escrivão Jr., A. Uso de indicadores de saúde na gestão de hospitais públicos da região metropolitana de São Paulo.  Relatório de pesquisa nº 9 de 2004. FGV/ PROHASA
 

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Aparecida Yoshie Yoshitome
 

Mestre em Enfermagem. Enfermeira da Disciplina de Enfermagem de Saúde Pública e Administração aplicada a Enfermagem do Departamento de Enfermagem da UNIFESP. Coordenadora do Curso de Especialização em Enfermagem Gerontológica e Geriátrica da UNIFESP. Membro do NEPPE – Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre o Processo de Envelhecimento Humano da UNIFESP. Membro do GEENIBRA – Grupo de Estudo do Envelhecimento Nipo-Brasileiro e Membro da SBGG – Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

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