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ILPI – Instituição de Longa Permanência para Idosos
Envelhecer com Dignidade: um direito humano! 

 

Veja os comentários postados

Tomiko Born, Maria Eliane Catunda de Siqueira, Aparecida Yoshie Yoshitome; Miriam Bonho Casara e Alice Moreira Derntl 

O Portal/Fórum é um espaço de discussão virtual de temas relevantes sobre o processo do envelhecimento e da velhice. O tema escolhido para inaugurar o Fórum é Instituição de Longa Permanência para Idosos em consideração a atualidade e urgência do enfrentamento do assunto pelos estudiosos do campo da Gerontologia.  Pensar sobre as condições em que se encontram os idosos atendidos nas instituições asilares é mexer no “quarto escuro e dos fundos” do envelhecimento. Trata-se de um assunto complexo e denso com uma série de variáveis que esperamos serem abordadas nas discussões que aparecerão neste Fórum. 

Para a introdução do tema, não podemos deixar de destacar que o crescimento da população idosa brasileira pode proporcionar à sociedade refletir e buscar melhores alternativas de atenção para a convivência com um número maior de idosos na vida pública. Os dados da PNAD/2003 (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios) informaram que 12,1% dos idosos brasileiros vivem sozinhos e outros 24,9% vivem em companhia apenas dos seus cônjuges, sem a presença de filhos ou agregados. Do total de idosos brasileiros, 12% são maiores de 80 anos e 31% tem de 70 a 79 anos. Somadas os dois valores, temos um total de 43% de idosos maiores de 70 anos.  Esses dados fazem-nos refletir quais as necessidades que este grupo etário tem e como respondê-las com políticas públicas que ofereçam melhores condições de vida aos idosos. 

Precisamos repensar os modelos de moradia para idosos. Tanto a Política Nacional do Idoso quanto o Estatuto do Idoso definem como obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso a convivência familiar e comunitária. O Estatuto do Idoso vai mais além e define a priorização do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento do atendimento asilar, exceto dos que não a possuam ou careçam de condições de manutenção da própria sobrevivência.  

Sem dúvida é inquestionável a importância do idoso viver no âmbito familiar e na comunidade. Mas, nem todos os idosos e nem todas as famílias reúnem as condições para manter o idoso em casa.  Quando não há essa possibilidade, entra em cena as Instituições de Longa Permanência para Idosos, tradicionalmente conhecidas como asilos, casa de repouso, clínica de repouso, lar dos velhinhos e outras tantas nomenclaturas.  Quantos idosos vivem nessas instituições?  Ainda não temos um censo nacional que nos informe o total de instituições e tão pouco o número de idosos que são atendidos por elas.  Temos apenas estimativas que são em torno de 5 a 10% do total de idosos.  

Não há nenhum propósito neste Fórum exorcizar as Instituições de Longa Permanência para Idosos. Elas são importantes no cenário do envelhecimento. Também não pretendemos condenar as famílias que por necessidade ou por falta de opção procuram estas instituições e lá deixam seus velhos para serem cuidados por terceiros.  

Esperamos contar neste Fórum com a participação dos gestores das políticas públicas vigentes que contemplam as necessidades dos idosos. Há muito tempo que precisamos de uma política nacional que contemple princípios, diretrizes, financiamento e normas de funcionamento das ILPI’s. Felizmente, já há um Grupo de Trabalho Interministerial que está se reunindo com o principal objetivo de propor a política nacional das Instituições de Longa Permanência para Idosos. Já é um grande passo.  

Várias questões precisam de discussão quando falamos nas ILPI’s. Por exemplo:

  • A ILPI é uma instituição de saúde? É uma instituição assistencial? Ou é de saúde e assistencial?
  • Quais as principais atividades que uma ILPI deve oferecer aos idosos? É só cama e comida?
  • Pode-se ter pessoas menores de 60 anos morando nestas instituições ou ela é só para velhos?
  • Toda ILPI é um “depósito de velhos”?
  • Quais as estratégias a serem usadas quando famílias abandonam idosos nessas instituições?

Pretendemos colaborar com este Fórum para a melhoria da qualidade de vida do idoso nas inúmeras instituições de longa permanência para idosos espalhadas pelo Brasil. Participe conosco. 

Este Fórum foi organizado a partir de textos escritos por especialistas no assunto: Tomiko Born fala de Idosos em Instituições de Longa Permanência: é possível o respeito à dignidade?; Maria Eliane Catunda de Siqueira disserta sobre a Longa permanência: mudanças no ambiente, em práticas e atitudes; Aparecida Yoshie Yoshitome reflete sobre os Indicadores para instituições de longa permanência para idosos ILPI; Miriam Bonho Casara pergunta Quem é o idoso institucionalizado? E, finalmente, Alice Moreira Derntl, questiona: Quem administra as instituições de longa permanência para idosos? 

Estes textos, pensados e escritos por suas autoras para este espaço do Portal do Envelhecimento, estão no ar para justamente serem comentados, polemizados, acrescentados, etc., pelos usuários que acessarem o Portal/Fórum via o e-mail da coordenação do Fórum: mberzins@superig.com.br 

Compete a mim, como moderadora, após triagem por assunto, encaminhar para os autores dos textos cuja principal tarefa será a de responder ou dialogar com as questões colocadas. Tanto as perguntas quanto as respostas ficarão disponíveis a todos na rede. Convocamos para este primeiro debate pessoas direta ou indiretamente envolvidas com instituições de longa permanência, que possam sugerir, contestar, polemizar e/ou acrescentar informações ao que as nossas convidadas pontuaram. Não deixem de ler, inteirar-se do assunto e participar. Exercite sua cidadania! 

Marília Berzins
Moderadora virtual do Portal/Fórum – ILPI
mberzins@superig.com.br

Tomiko Born: Idosos em Instituições de Longa Permanência: é possível o respeito à dignidade? 

Aparecida Yoshitome: Indicadores para instituições
de longa permanência para idosos ILPI
 

Maria Siqueira: Longa permanência:
mudanças no ambiente, em práticas e atitudes

Miriam Casara: Quem é o idoso institucionalizado?

Alice Derntl: Quem administra as instituições
de longa permanência para idosos?

Espaço do Usuário

 Mariuza comenta:

Após ler os dois  primeiros artigos, pude sentir a intensidade desta questão. Sem dúvida estas instituições são necessárias devido à complexidade da vida que levamos, principalmente em grandes centros urbanos. E o foco, efetivamente, tem que ser o idoso. E sabe-se que isto raramente acontece. A direção destes locais não pode ser cargo político, como ocorre normalmente, mas centralizada em pessoas especializadas no envelhecimento, que reconheçam as múltiplas necessidades dos idosos. Fora o Estado, quem procura manter este tipo de instituição? Achei super interessante garantir indicadores para medir a qualidade do trabalho, o relacionamento e atuação da instituição. Quem supervisionará estes indicadores? Estive em janeiro na cidade de Filadélfia (Pensilvânia), onde há um grande contingente de idosos e inúmeros condomínios somente para eles, e de diferentes estilos, de acordo com suas posses. Bem cuidados, têm diariamente programas culturais e lazer, e os que conseguem, ainda trabalham, principalmente em supermercados. Envelheceram em um país desenvolvido. E os nossos velhos? É crucial acordar as pessoas para melhorarmos a condição destas instituições, como também se preparar para viver muito mais anos e com dignidade. Parabenizo o Portal pela escolha de um assunto tão emergencial.

 Miriam Casara 

Mariuza,

As instituições asilares no Brasil são resultado de iniciativas de alguma ordem ou instituição religiosa, algumas do poder público e, mais recentemente e muitas delas, de iniciativa privada. A origem também reflete quem faz a manutenção das mesmas. Em qualquer dos casos há a possibilidade de colaboração da comunidade, através de contribuições espontâneas, que podem ser sistemáticas (por exemplo: pessoas, famílias ou mesmo empresas que repassam valores mensais para a manutenção dos idosos nas instituições). Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelas entidades que prestam serviço ao idoso (a mesma encontrada pelas famílias que necessitam de um cuidador domiciliar) é justamente a falta de RH capacitados para trabalharem com a população idosa. A multidimensionalidade do envelhecimento humano traz complexidade à tarefa, e exige conhecimentos específicos, que os próprios cursos de formação profissional não oportunizam. Por outro lado, não pode-se comparar a realidade de um país desenvolvido com a brasileira. Isso porque, além da precariedade do acesso aos serviços de saúde e outros benefícios sociais, no Brasil tudo o que se refere ao idoso ainda é muito novo. Temos um longo caminho e muito trabalho pela frente. E isso é responsabilidade de todos: governo, sociedade, família, indivíduo e do próprio idoso.

 Aparecida Yoshitome

Mariuza,

Os indicadores devem ser selecionados pelos gestores das ILPIs. Aqueles mais adequados para atender as ILPIs brasileiras de um modo geral, precisam ainda de uma validação por especialistas, mas vejo como uma das alternativas para se pensar em um mínimo de qualidade e dignidade para o idoso. Parece utópico falar em qualidade para ILPI, mas não podemos esquecer que a qualidade em serviços surge para melhorar os serviços pensando inclusive na redução de custos. Indicadores de estrutura como dimensões adequadas de quartos, banheiros, áreas de lazer por exemplo, já estão superados em países desenvolvidos, nós temos que melhorar muito. Hoje temos que discutir indicadores de processo de trabalho como a ocorrência de úlceras por pressão, quedas, infecção urinária, contenção mecânica entre outros porque são eventos passíveis de prevenção e de alto custo de tratamento quando ocorrem.
Obrigada por prestigiar o Portal.

Tomiko Born

Mariuza,

Como você comenta, há uma grande diferença entre envelhecer num país rico e pobre. Para muitos idosos, as instituições perpetuam o estado de exclusão social que eles/elas sofreram ao longo da vida. Aqui também temos boas instituições, mas são poucas e caras. Até agora, a questão das ILPIs tem merecido pouca atenção (embora já tenha havido alguma melhora), tanto por parte de profissionais, como dos poderes competentes. Continuamos achando que só o pobre vai para instituição, continuamos criticando a família que interna o/a idoso/a. A maioria das nossas instituições é particular-filantrópica, isto é, do direito privado, mantida com donativos, contribuições dos/as próprios/as idosos/as e familiares e um pequeno per capita pago pelo governo, que não é reajustado há anos. Os diretores de instituições não são geralmente preparados, embora aqui e ali sejam desenvolvidos cursos para eles. As ILPIs são uma parte do tsunami do envelhecimento no Brasil.
Um grande beijo pelo Dia Internacional da Mulher.

Alice Derntl

Olá Mariúza,

O tema em questão está mobilizando a opinião de vários leitores. Parece que a questão de "quem deve dirigir as ILPIs?" e outros assuntos afins precisam ser mais discutidos até que, de fato, se forme massa crítica que  sensibilize os órgãos públicos competentes e resulte em ações efetivas. Eventos em geriatria/gerontologia são oportunidades importantes para continuarmos "batendo no ferro emquanto está quente". Continue mandando suas opiniões e sugestões. Obrigada.

Vera Lucia Tavares comenta:

ILPI deve ser um local onde gente cuida de gente, com humanismo, suportando as angústias do ser humano diante da fragilidade do corpo e da mente. Uma ILPI deve ser um local onde o idoso possa sentir que é um cidadão com direitos e possibilidades de usufruir de sua liberdade, manifestando aceitação ou recusa sem receio de ser discriminado ou tratado como um demente rebelde, agressivo. O profissional que cuida do idoso deve sempre ter em mente que é um aprendiz pois o idoso é o mestre sempre sábio e repleto de experiências ricas testadas e aprovadas.Bendito o cuidador do idoso que tem consciência de sua função e a executa com esmero e perfeição. Que função é esta? Preservar a qualidade de vida do homem que vive sua melhor idade, ou a terceira idade.

Alice Derntl

Vera Lucia,

Você comenta e aponta com sensibilidade e doçura o que deveria ser o paradigma ideal da construção de uma política de atenção às pessoas idosas em ILPIs. Resta que nós continuemos divulgando comentários como o seu, buscando a efetivação dessa política traduzida efetivamente em normas de funcionamento e outras disposições legais pelos órgãos competentes, para que tenha força de lei.
Abraço e comunique-se sempre conosco!

Tomiko Born

Vera Lúcia,

Você disse muito bem: o/a cuidador/a precisa ter sensibilidade, humildade, capacidade de respeitar a pessoa humana, defender o seu direito de cidadão, mas, ao mesmo tempo ter preparo adequado sobre o processo de envelhecimento e domínio de habilidades específicas para trabalhar com pessoas idosa. Mas. ele/ela, também, precisa ser reconhecido/a como pessoa humana, certo?
Abraços.

Rita Amaral comenta:

Tomiko Born,

Lendo seu caleidoscópio, reconheci várias cenas por mim presenciadas na ação que desenvolvo como voluntária há três anos numa ILPI em Guarulhos. Posso dizer que desenvolvo pois construí um saber ocupando este espaço todas as semanas. Aprendi com eles e eles comigo. Estes idosos fazem parte da minha vida. Vou acrescentar uma cena ao seu caleidoscópio contando: Sr. João vai completar 90 anos nos próximos meses. Ganhou no Natal de 2003, da instituição, um jogo de dominó. Percebi que ele conhece muito este jogo, pois quando jogamos ele sabe até com que pedras eu estou. Sr. João tem um temperamento explosivo e se isola no seu canto. Aliás, os cantos são territórios conquistados pelos residentes como marcas que não podem ser ocupados pelos seus pares. Quando alguém morre, fica aquele canto vazio, e que aos poucos vai ser ocupado por outra pessoa. A paixão do Sr.João pelo dominó e a solidão são tão grandes que ele joga em sua cama até ser vencido pelo sono com um parceiro imaginário. Ele me confessou várias vezes que vence sempre. Por sorte seu companheiro de quarto é um residente cego, permitindo que ele possa ter este prazer. Em junho tirei uma fotografia do neto que foi visitá-lo numa festa junina. Ele me pediu uma cópia pois esperava ser visitado nas Festas de fim de ano. Teve o cuidado de colocar num saco plástico, amarrado ao seu andador. Espera nos dias de visita que apareça alguém de sua família para ele poder mandar a fotografia. Esperam ele e o presente, já há alguns meses..

Tomiko Born

Rita Amaral,

Que bonita a sua contribuição ao Caleidoscópio. Imagino que você tenha várias outras cenas guardadas para o seu caleidoscópio. Sua presença na ILPI em Guarulhos deve estar proporcionando um bem extraordinário ao Sr. João e a outras pessoas. Acho que sempre temos de aliar um profundo respeito pela pessoa idosa e grande sensibilidade para suas necessidades psico-sociais, ao conhecimento técnico profissional.
Um abraço.

Ceres Eloah comenta:

É apenas para parabenizar mil vezes a sensibilidade da Tomiko Born!
Parabéns Tomiko!!!

Tomiko Born

Ceres,

Obrigada pelos seus cumprimentos. Eu tive a sorte de ter trabalhado quase 20 anos, assistindo diretamente ao/a idoso/a e sua família e aprendi muito deles/delas, tanto quanto em congressos, em salas de aulas ou leitura de livros. Com certeza você também tem um lindo caleidoscópio com cenas como a da “happy hour” com a sua mãe.
Abraços.

Maria Guiomar de Simone Martines comenta:

Ler um artigo da Tomiko é sempre um acréscimo e um repensar de nossa prática profissional.
Obrigada , por continuar sendo nossa mestre. Te admiro muito.

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